domingo, 6 de junho de 2010

O que não se diz por aí.

Alguns dias atrás fiz parte de uma pelada...

Basicamente um grupo de homens reduzidos a sua insignificância, tentando ostentar seu nível de testosterona e provar talvez que ele é maior que o do outro. Claro, eu não fiquei de fora! uns sabem jogar, outros correm, outros falam demais, alguns arranjam confusão e tentam levar pro campo a ordem que não conseguem instalar dentro da sua própria casa, mas no fim das contas, o baba é, essencialmente, uma competição pra ver quem tem o falo maior. E os falos são medidos por: gols marcados, dribles, fôlego, não-dor-de-facã0 (nesse quesito, meu falo desaparece!), entre muitos outros.

O engraçado é que muitos não sabem disso, mas o entendem, e quando se conversa de um baba num círculo de homens, todos ficam mais machos do que são. Isso é algo que acho que mulher nenhuma vai entender, como nós não entendemos o êxodo das mulheres para o banheiro e como isso é um rito importante para elas. É uma situação, um feeling, algo que está no ar em volta do grupo, e quem é um pouco mais atento, sente o cheiro de testosterona. O baba é algo masculino, e é território desconhecido para as mulheres.

Para chegar ao ponto deste post, devo citar um livro que venho lendo: a Venus das Peles escrito em 1870 por Leopold Von Sacher-Masoch. A história relatada nesse livro é a de Severin, um bobão apaixonado por uma deusa carnal, uma mulher deslumbrante, porém despótica que ao decorrer do livro trata e destrata o pobre coitado com o consentimento dele. A única cobrança dele é que ela vista um casaco de pele, para reafirmar a sua soberania sobre o indivíduo emasculado (ou não! já que de acordo com Wanda, a déspota, é da natureza masculina se rebaixar e se humilhar por amor a uma mulher, o que eu particularmente concordo, e quem me conhece sabe que eu sempre afirmei que a mulher manda no homem, então emasculado não, já que é parte do homem ser um trouxa!). Em 1886, Richard von Kraft-Ebing publicou Psychopathia Sexualis, um tratado sobre todas as práticas sexuais "deviantes", e nele tanto o termo sadismo (o prazer em causar dor ao outro, referência clara ao Marquês de SADE) quanto o Masoquismo (prazer obtido por meio do sofrimento, referência mais do que clara a Sacher-MASOCH e sua novela, a Venus das Peles) surgiram e se difundiram.

Pois é! eu posso argumentar bastante a respeito disso, mas acho que não preciso. Não acredito que alguém vá me contestar. Até o patriarcado cristão surgiu para suprimir o matriarcado pagão, então deixa isso quieto.

O porém desse papo todo é que existem algumas coisas não se falam. Algumas coisas você guarda para si. Meio que um movimento hipócrita, já que todos no fundo sabem quem manda, e mundo afora surgem movimentos para negar o inegável: babas, machismo, misoginia, religiões que negam o papel feminino (exemplo: islamismo), estupros, mutilações, pornografia (legal mas ordinário). E quando se está em um ambiente ou prática como as supracitadas, não se dá pistas de que o homem é um banana, pois essa é a hora do homem! o orgulho, a defesa contra a tirania das bucetas!

Agora vou narrar o que me inspirou a escrever isso:

Alguns dias atrás fiz parte de uma pelada. Meu time ganhou de 8x3, fiz dois gols e armei o lance de mais alguns. O dia era agradável, fim de tarde num parque ao lado do mar, sol não muito forte, as poucas mulheres que estavam presente estavam sentadas numa mesa, junto com as cestas do pique-nique, enquanto os homens jogavam. O jogo terminou e fomos para um bar perto. A negócio era fino, cervejas de várias partes do mundo, entradas muito gostosas, cinco de nós estávamos presentes, e adicionado aos cinco teve mais um, um senhor belga, que trabalha no bar e conhecia um de nós e resolveu sentar-se conosco, brasileiros homens, para papear, sobre futebol, sobre o baba, cerveja e outras coisas de homem. Ele deve ter farejado a testosterona se aproximando e resolveu fazer parte. Era um círculo de homens perfeito! protegido das fêmeas e tudo mais. Acredite se quiser! eu particularmente não acredito, vou dizer porque, como e aonde que as garras femininas se infiltraram no nosso santuário:

O senhor belga se interessou pela situação e perguntou o que estávamos fazendo ali. "Estávamos num baba! queremos uma cerveja!", o papo circulou por quem tinha ganhado, quem jogava bem, se devia acontecer outro na semana seguinte, e etc. Aí o velho belga perguntou para o cara mais articulado, se ele havia jogado... precisei de um tempo para respirar, estou ficando ansioso a medida que vou escrevendo... a resposta dele foi "não, MINHA ESPOSA NÃO DEIXA"...

...

Até o senhor belga ficou sem graça e mudou de assunto.

Porra! tem coisas que não se fala! é algo equivalente a chegar num funeral e dar risada, mesmo que o morto seja um idiota e tá fazendo um favor pra todos ao ser enterrado. NÃO SE FAZ! NÃO SE DIZ! por mais que seja verdade! o idiota profanou nosso santuário! e pra piorar, ele estava com a cachorrinha da esposa que estava na aula de ioga! e que de repente apareceu no bar para pegar a pobre coitada que estava "perdida com esse bando de bêbados"... a vontade, o impulso, o instinto gritava "bêbados sim! e sujos, e fedidos, e suados!" mas o papel tão claramente NÃO desepenhado pelos bagos do (infelizmente) nosso companheiro nos deixou sem reação...

"Quer ser meu escravo?" - Wanda von Dunajew

Sem lubrificante nem nada!

Um comentário:

Anônimo disse...

hahhaha porra caio, difuder (dava pra escrever mais mas não chegaria nem perto...). me lembro a mulher que dizia que as mulheres deveriam deixar os homens abrirem a tampa do recipiente de azeitona de vez em quando, mesmo eles e elas sabendo que elas fazem isso sozinhas.