quinta-feira, 25 de março de 2010

O que de repente explode.

Não consigo dormir. De forma alguma isso é novidade, no entanto ontem eu dormi como uma criança, apesar do filme de terror. Hoje não consigo. Sempre achei que a regularidade do meu sono alterna: períodos que durmo muito bem e outros que só apanhando na cabeça. Hoje de manhã achei que estava entrando em um dos períodos bons. Já pela noite, minhas suspeitas caíram por terra.

Ainda não descobri fórmula para pegar no sono. Na verdade acho esse negócio de fórmula um verdadeiro engôdo. Se houvesse alguma fórmula, ela teria sido descoberta anos atrás, séculos, milênios, talvez. Assim como se sabe que mamão faz bem para o intestino. Seria uma daquelas sabedorias que nenhum cientista se importaria em comprovar, porque é tão verdade, que parece que nasceu cientificamente intocável. Imune a contra-teorias! acho que com sono não tem jeito.
Existem as drogas. Muitas delas! algumas lícitas, outras não. Um dia um caipira americano me disse que o melhor remédio para insônia vem do Tennessee: Jack Daniels. Até gosto de um bom whiskey, mas o único problema de álcool é o dia seguinte. Alguns podem argumentar em defesa dessa prática dizendo que você não precisa beber tanto até o ponto de ter uma ressaca no dia seguinte. Mas você sabe como é: no início de uma bebedeira, parar é a última coisa que ocorre na cabeça de quem bebe. Pelo menos comigo a banda toca assim. Existem também as pílulas de dormir. Valeriana, Melatonina, Stillnox... as duas primeiras são naturais e relativamente leves, a terceira não é exatamente uma pílula de dormir: ela te derruba por alguns minutos, o suficiente para as duas anteriores fazerem efeito e você só acordar no dia seguinte, supostamente feliz. No entanto, lembro de um efeito colateral um tanto inusitado que tive utilizando Stillnox e entendi que se você tomou essa pílula, é bom que você esteja deitado e permaneça assim e de preferência sem nenhuma televisão ligada por perto. Bom, eu tive que aprender na pele... lembro da imagem da TV divida em quatro, como se eu tivesse quatro olhos e todos eles estivessem olhando para cantos diferentes. Lembro também de chamar meu irmão e perguntar pra ele se ele estava vendo o que eu estava vendo. Acho que por um instante entrei em pânico por causa de tal visão, mas como não lembro de mais muita coisa, acredito que fiquei balbuciando qualquer coisa até apagar por completo. Ao contrário do que alguns devem pensar, passei a tomar essa pílula com menos frequência ainda. Existem algumas drogas que tanto induzem o sono quanto auxiliam o insone na sua batalha perpétua. A minha favorita é censurada, mas como essa postagem não era a respeito disso, quem sabe sobre a favorita, sabe. Quem não sabe deve estar muito novo para saber de qualquer jeito.

Agora, um breve parágrafo sobre o que eu tinha em mente quando decidi escrever um post para meu blog. Nada.

Pois bem. Eu estava deitado na minha cama. Completamente relaxado, e idiotamente feliz. Assisti essa noite uma comédia muito boa a respeito de zumbis e um manual com cerca de 32 regras de sobrevivência em um mundo infestado por zumbis atléticos, comi pipoca e tudo! realmente achei que fosse dormir e que isso seria rápido. Mas o meu problema é que a hora em que decido dar um tempo a tudo, é justamente a hora que tudo passa pela minha cabeça. Livros, filmes, músicas, fantasias sexuais, escrever, criar, comer, beber, amigos e tudo mais. Mas o que entrou no mainframe e não saiu de jeito algum foi o que eu escreveria no meu blog.

Adoro escrever. Já iniciei livros e mais livros durante minha vida. Aqueles que você começa a escrever com um ritmo ótimo, para um escritor amador e inexperiente (talvez isso soe redundante, mas se soar, tudo bem), mas depois de algumas dezenas de páginas, o ritmo diminui e atinge o zero. Aí você relê o que escreveu, pensando que talvez tenha sido alguma aresta que você não aparou no início e que talvez isso esteja atrapalhando o continuar do seu fluxo. Você até adiciona algumas linhas, algumas informações, força alguma coisa que só fará sentido na próxima linha que você escrever da última página que você sucedeu em parir. Esse é o momento de abrir mão. Talvez tenha sido só um ensaio, talvez seja apenas ruim e não valha coisa alguma. Próxima vez você sabe que não deve começar querendo escrever um livro, pois é capaz que algo dê errado ou que você tenha confundido seu desejo, seu urgir, sua necessidade de escrever e criar por algo mais específico, como escrever um livro inteiro, por exemplo. Então resolvi me limitar a contos, a escritas e passagens. Como isso aqui.

É engraçado, pois por alguns dias penso em escrever. Tive algumas inspirações, e acho que muitas delas foram boas. Algumas esquisitas, talvez. Mas uma quantidade suficiente de boas idéias surgiu. Mesmo assim nada saía. A idéia que tive que mais gostei foi a história de um indivíduo e sua conversa com um homem verde. Como aqueles soldadinhos de plástico com uma base enorme embaixo dos seus pés. Achei essa uma boa idéia e fiquei imaginando o que eu conversaria com um homem verde... bom, essa idéia tem uns três ou quatro dias, mas nada surgiu disso. Acho que faltava isso que aconteceu hoje: simplesmente sentei no computador, abri a página do blog, cliquei em nova postagem e aqui estou eu, falando sobre algo que em momento algum passou pela minha cabeça. Acho o título desse blog legal. O Diário Terrohrista, mas o título do meu outro blog faz mais sentido se seguida essa linha de pensamento: Pensamentos Repentinos e Outras Textos...

Pode ser que talvez eu tenha que sair do campo da imaginação e tomar um atitude para que a escrita aconteça, mas a impressão que tenho é que se amanhã eu tentar fazer isso de novo, não só não conseguirei escrever algo extenso, nem algo que faça tanto sentido.

Sinto que é o momento de encerrar.

Bem, quando comecei a escrever neste instante, pensei que talvez conseguisse dormir e queria que isso acontecesse quando terminasse... queria não, tinha esperança. Sabe aquele papo de que tem algo dentro de ti que está te mantendo acordado? como se houvesse energia ou algo vivo e pulsante dentro de mim que precisa sair. Não falo daquela forma romanceada do processo de escrever. Falo como se tivesse um furúnculo que precise ser espremido, ou um bolo fecal que está no ventre a dias e que esteja ficando duro e cada vez mais árduo de ser expelido, ou então um catarro no fundo da garganta que você não consegue puxar, ou até mesmo ciso inflamado. Tenho pra mim que a inspiração é isso... peço desculpas aos sonhadores e artistas clássicos que tem uma inspiração e a cultuam e cultivam, mas a minha está me impedindo de dormir, e isso é um problema, ela não é bonita. Te amaldiçoo, inspiração! mesmo gostando dos resultados de tais empreitadas insones... nesse momento as emoções se dividem. O que resta fazer é sentar o rabo em algum canto (no meu caso, estou sentando na minha lombar) e deixar que os dedos façam o trabalho.

Bem, caguei a merda, espremi o furúnculo, cuspi o catarro e extraí o ciso.

O que falta agora é dormir.

3 comentários:

Og disse...

o soldadinho verde, mesmo após pisar numa mina e ter sua perna amputada, ainda continua de pé.

uma boa premissa
ou até mesmo indagação
/o_

Unknown disse...

Acho que este titulo fica bem pra esse tipo de coisa, cara...

Penso que se o seu título atual fosse o do outro você muito provavelmente não teria a idéia que teve...

AH, Adorei meu caro!

Anônimo disse...

é, não existe melhor pinico que blog. quando eu resolvo não pensar em resultados, em estética, em fazer algo que preste é que geralmente saem as coisas que eu acho mais interessantes.
seilá, talvez com menos censura a coisa fique mais fluída. mas isso é só hipótese de alguém que também adora escrever, e procura não racionalizar muito o ato - só fazê-lo pelo bem que ele faz

sobre insônia - bom, tenho pouca experiência , diferente de você - mas um conselho que me serviu uma vez é que, quando vem a insônia, o melhor pra pegar no sono é tentar não se preocupar em cair no sono. escrever o que se pensa, fazer logo o que tá ocupando a cabeça.
e exercício físico leve também ajuda.

beijo!