quinta-feira, 3 de março de 2011

O centro da cidade faz menos sentido a cada dia que passa.

Estou no centro da cidade. A tarde se aproxima do seu fim. Ando alguns metros pela rua de calçadas estreitas e viro à direita. Nesta direção a rua se torna uma ladeira para baixo. Muitas pessoas subindo em direção contrária à que seguimos, é quando percebo um senhor de costas para nós, abordando outras pessoas. Seu aspecto é sujo e maltrapilho, como se não tomasse banho ou trocasse de roupas a alguns dias.

Uma das pessoas que ele aborda lhe respondeu:

"eu não entendo nem português, quiçá inglês!"

Seu ritmo diminui até alcançamos ele, então ele fala em inglês:

"hey, musicians!"

Olhamos para trás e respondo em inglês, pergunto o que ele queria e ele responde dizendo que fala inglês, francês e português e que era professor de línguas. A dívida de alguns dos seus alunos, somadas alcançava 2.300 reais e ele tinha apenas dois reais até depois de amanhã.

"Please, that's all I have 'til tomorrow"

Dois reais de modeas de vinte e cinco centavos. Ele agradece muito. Tinha um jeito meio afeminado. Disse que trabalhava com teatro e dança também.

Viramos as costas e continuamos ladeira abaixo. Entramos no discreto corredor a direita, metros a frente, descemos as escadas e entramos pelo portão de grade.

Por que, no centro da cidade, aquele velho pedia dinheiro em inglês?